Covid-19
Monitoramento ainda mais rigoroso
Paula Mascarenhas quer intensificar os protocolos de rastreamento e isolamento das pessoas suspeitas de contaminação
Jô Folha -
Com a negativa da maioria dos municípios da Zona Sul em aderir a um lockdown de cinco dias, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) decidiu adotar outras medidas para tentar conter o avanço da Covid-19. Após uma conversa da secretária municipal de Saúde Roberta Paganini com a Vigilância Epidemiológica, foi traçada a estratégia de intensificar os protocolos de rastreamento e isolamento das pessoas suspeitas de contaminação pelo novo coronavírus.
Depois da reunião virtual com membros da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) para discutir a identificação da variante do Reino Unido da Covid-19, Paula voltou a conversar sobre o assunto com o ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal. E, segundo o coordenador da Epicovid-19, essa variação do vírus em si não é mais preocupante que as demais. “Na prática, eu tenho uma visão sobre a nova variante que não é tão desesperadora. Nós estamos tratando de um exame que foi coletado no dia 25 de fevereiro, que confirma que a variante inglesa está circulando aqui, mas a própria P1, por si só, já é suficiente para causar preocupação. A notícia em específico de encontrar a variante inglesa aqui não é uma notícia que me desespere tanto, o que me desespera são os números diários”, destaca.
Um dos prefeitos que é contra a realização de lockdown regional é o presidente da Azonasul, Vinicius Pegoraro (MDB), de Canguçu. Segundo ele, ao falar somente como chefe do Executivo do seu município, o objetivo no momento é aumentar a fiscalização nas cidades. “Sou contrário à sugestão de se fazer lockdown. O que a gente verifica é que está sempre sendo lesada a questão da atividade econômica e na verdade o que nós precisamos, cada vez mais, é de mais apoio das forças de segurança para a gente conseguir fazer ações que impeçam as aglomerações. No final de semana a gente teve dificuldades no município e aí fica sempre, quase que sozinhos. Não vou dizer que não tem apoio, mas em vários momentos críticos a fiscalização dos municípios acontece sem aquela representatividade das forças de segurança”, diz.
Sem o apoio dos outros municípios da região, a prefeita pelotense optou por outra maneira de tentar controlar a proliferação da doença. “Não tem muito sentido fazer alguma coisa só em Pelotas porque a população regional tem muita mobilidade entre os municípios. Então a gente faria um sacrifício grande na cidade e talvez não tivesse esse efeito tão positivo se os outros municípios não participassem”, argumenta.
De acordo com Paula, a opção por um monitoramento mais rigoroso é fazer com que as pessoas respeitem os protocolos de isolamento, trabalhando na capacitação das equipes e na conscientização das pessoas. “Estamos optando por esse caminho, por um monitoramento mais constante e por essa tentativa de cumprir os protocolos rigorosamente e acompanhando para ver se vai ser necessário mesmo tomar alguma medida mais restritiva.”
E no final de semana?
Depois de seis finais de semana seguidos com lockdown, a prefeitura de Pelotas optou por liberar as atividades não essenciais no sábado e domingo. A medida, no entanto, não está confirmada para os próximos. Segundo Paula Mascarenhas, não é possível determinar se as medidas restritivas mais rígidas tiveram impacto na queda dos números.
“Como o fenômeno da diminuição está acontecendo no Estado inteiro, não dá para dizer que foi o nosso lockdown aqui. E como houve essa flexibilização, a gente optou por não manter. Não é impossível que a gente volte [a ter lockdown no final de semana] e também não é impossível que a gente faça algum lockdown um pouco mais longo, que não seja tão curto, de dois dias. As experiências que tivemos com lockdown de quatro dias em agosto e dezembro foram positivas, vimos em todos os momentos a inflexão da curva”, finaliza.
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